O deputado estadual eleito e ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), foi preso nesta quinta-feira (15) pela Polícia Federal na oitava fase da Operação Unha e Carne. Também foi detido o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro. As prisões foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A nova etapa é desdobramento da sexta fase da operação, realizada em julho, quando Canella e Amim já haviam sido alvos da PF. Naquela ocasião, o então pré-candidato ao Senado foi preso em flagrante após um fuzil ser encontrado no carro em que estava.

O que apura a operação
A investigação mira uma suposta organização criminosa que teria usado uma rede de postos de combustíveis no Grande Rio como plataforma de lavagem de dinheiro, com participação e anuência de agentes públicos. Segundo a PF, o esquema movimentou R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.
A operação também investiga conexões entre agentes públicos e grupos criminosos que atuam no Rio de Janeiro. Na sexta fase, a PF informou que Canella era investigado como suposto “braço político” do grupo.
Nesta quinta-feira, agentes federais cumpriram seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.
Quem é Márcio Canella
Márcio Correia de Oliveira, o Márcio Canella, tem 49 anos e é filiado ao União Brasil. Ele foi eleito prefeito de Belford Roxo em 2024, mas renunciou ao cargo no início de 2026 com o objetivo inicial de disputar uma vaga ao Senado pelo Rio de Janeiro.
Nas eleições de 4 de outubro, Canella foi eleito deputado estadual com 197.178 votos, tornando-se o segundo mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele também já ocupou diversos cargos na administração pública de Belford Roxo.
Prisão anterior
Na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada em 7 de julho, a PF encontrou um fuzil calibre 5,56 no veículo de Canella. O político foi autuado em flagrante por posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Ele negou ser o proprietário da arma.
Após audiência de custódia, a prisão foi mantida e Canella foi transferido para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio. No dia 11 de julho, porém, o ministro Alexandre de Moraes concedeu alvará de soltura, com medidas cautelares como uso de tornozeleira eletrônica e entrega do passaporte.
Marcus Amim
Marcus Amim foi secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro (Chefe da Polícia) entre 2023 e 2024. Ele já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão na sexta fase da operação, realizada em julho.
Naquela etapa, a PF também cumpriu mandados contra o inspetor da Polícia Civil Pablo Jukiá Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo, que teria integrado equipes comandadas por Amim em diversas delegacias.
Possíveis crimes
De acordo com a PF, os investigados poderão responder por organização criminosa, contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros crimes que possam surgir no decorrer das investigações.
A prisão desta quinta-feira não significa condenação. Canella e Amim continuam presumidamente inocentes até o trânsito em julgado de eventual condenação, mas poderão permanecer presos caso a Justiça considere presentes os requisitos legais para a decretação ou manutenção da prisão cautelar.
Desdobramento político
A nova prisão de Canella ocorre pouco depois de ele ter sido eleito com expressiva votação para a Alerj. A situação pode impactar a posse e o exercício do mandato, dependendo das decisões da Justiça Eleitoral e do STF sobre eventuais efeitos da prisão sobre a diplomação e a investidura.
A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 e já completou oito fases. A investigação inicial apurava um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho e, ao longo do tempo, passou a alcançar esquemas de lavagem de dinheiro, armas e relações entre agentes públicos e organizações criminosas.




