Professora é encontrada morta, depois de corpo ser jogado em mata

A professora Luciana Menta, de 54 anos, foi encontrada morta na noite de quinta-feira (22) em uma área de mata na Linha São Roque, a cerca de 8 quilômetros do centro de Faxinal dos Guedes, no Oeste de Santa Catarina. Um homem de 50 anos foi preso em flagrante e confessou ter asfixiado a vítima e ocultado o corpo. O caso é investigado como feminicídio e ocultação de cadáver.

Desaparecimento

A família acionou a Polícia Militar por volta das 19h55, após Luciana não atender ligações, faltar ao trabalho e não buscar a filha na escola. A professora havia sido vista pela última vez por volta das 14h30, quando entrou no apartamento onde morava, na Rua Sete de Setembro, no Centro de Faxinal dos Guedes.

A ocorrência foi registrada inicialmente como desaparecimento de pessoa. Policiais passaram a analisar imagens de câmeras de segurança do prédio e do sistema municipal de videomonitoramento.

Imagens levaram à prisão

As gravações registraram a entrada e a saída de um homem do apartamento de Luciana em diferentes momentos. Em uma das saídas, ele carregava um volume grande, depois identificado como uma sacola grande de viagem, e o colocou em um veículo GM Astra.

Com base nas imagens e nas diligências, a polícia localizou o suspeito na própria residência, no bairro Ozelame, em Faxinal dos Guedes.

Confissão e localização do corpo

Segundo a Polícia Militar, o homem confessou que mantinha um relacionamento extraconjugal com a vítima e que, após uma discussão no apartamento dela, a segurou pelo pescoço, provocando a morte por asfixia. Ele relatou ter envolvido o corpo em uma manta, colocado-o dentro da sacola e transportado o volume de carro até uma área de mata.

O suspeito indicou o local aos policiais. O corpo foi encontrado em um trecho de difícil acesso, envolto em uma manta e acondicionado dentro da sacola de viagem. A área foi isolada para os trabalhos da Polícia Civil e da Polícia Científica.

Suspeito segue preso

O homem, identificado em apurações como Juvir Antonio Rebelatto, de 50 anos, foi preso em flagrante por feminicídio e ocultação de cadáver. Ele foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Xanxerê e permanece à disposição da Justiça.

O veículo usado no transporte do corpo foi apreendido para perícia. Um celular do suspeito também foi recolhido para análise. As imagens de segurança do prédio e do sistema municipal serão examinadas pela investigação.

Versão do suspeito

Segundo o relato atribuído ao suspeito, a discussão teria começado após uma conversa pela manhã e se intensificado no apartamento. Ele teria afirmado que Luciana lhe deu um tapa e que, em seguida, a agarrou pelo pescoço “sem medir força”, até ela desmaiar. Conforme essa versão, ele tentou reanimá-la, sem sucesso.

Ainda conforme o relato, após a morte, o homem teria saído para buscar a filha em um jogo de vôlei, retornado ao apartamento, preparado o corpo e realizado uma série de deslocamentos antes de levar o volume até a mata. Esses detalhes ainda precisam ser confirmados pela investigação.

O que ainda não foi confirmado

Até a última atualização, a polícia não divulgou oficialmente o resultado da perícia no corpo, no veículo e no celular apreendido, tampouco a motivação definitiva do crime e eventuais registros prévios de violência doméstica.

Também não há confirmação oficial sobre o paradeiro do celular de Luciana. Segundo apuração, o aparelho não foi encontrado e o suspeito teria dito não saber onde está.

Repercussão

A Prefeitura de Faxinal dos Guedes suspendeu as aulas na tarde desta sexta-feira (23) após a confirmação da morte. Luciana era professora da rede municipal de ensino do município.

O crime ocorre em um contexto de alta violência contra mulheres em Santa Catarina. Levantamento divulgado nesta sexta-feira aponta 44 feminicídios no estado e aumento de 15% no número de mulheres mortas em relação ao ano anterior.