PF faz mega-operação contra fraude em licitações da saúde

Auditorias identificaram uma série de irregularidades na execução desses contratos, como indícios de materiais que não teriam sido entregues

A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou na manhã desta terça-feira (27) a Operação Mederi, visando desarticular um esquema de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações na área da saúde no Rio Grande do Norte.

Agentes cumprem 35 mandados de busca e apreensão em Mossoró e outras cidades do estado, com medidas cautelares e bloqueio de bens contra os alvos.

As cidades envolvidas na operação são:

  • Mossoró
  • Natal
  • Parau
  • São Miguel
  • Upanema
  • Serra do Mel
  • Pau dos Ferroa
  • José da Penha

Segundo as apurações, há indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde. As investigações envolvem empresas sediadas no Rio Grande do Norte que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados.

Auditorias da CGU identificaram irregularidades em contratos para fornecimento de insumos médicos à rede pública de saúde, envolvendo empresas potiguares que atuavam em administrações municipais de diversos estados. Há indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado, sobrepreço e falhas na execução contratual, configurando crimes de desvio de recursos públicos e fraudes em contratações administrativas.

A ação ocorre em Mossoró (RN), com foco em alvos ligados à gestão municipal, incluindo o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), que é um dos investigados. A PF não divulgou valores exatos do prejuízo, mas o esquema seria “milionário”, com impactos em verbas federais para saúde pública.

As apurações tiveram início a partir de fiscalizações rotineiras da CGU, que revelaram padrões de corrupção em licitações para medicamentos e equipamentos hospitalares. Empresas sediadas no RN teriam simulado concorrência e superfaturado itens essenciais, comprometendo o atendimento à população durante demandas pós-pandemia. A operação reforça o combate a desvios em convênios municipais, similar a ações anteriores como a Faraó (2023), que mirou projetos da UFRN.

A Justiça Federal determinou buscas em endereços de empresários, servidores e políticos, além de sequestro de patrimônio para ressarcimento aos cofres públicos. Até o momento, não há prisões preventivas anunciadas, mas os investigados podem responder por peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro.

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, foi surpreendido pela ação policial em sua residência, segundo fontes locais. A Prefeitura de Mossoró e as empresas citadas não se manifestaram até o fechamento desta edição. A PF e CGU destacam que a operação visa garantir transparência na gestão de recursos da saúde, essenciais para municípios vulneráveis como os do interior nordestino.


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