Nova delação de Vorcaro cita PT e Rueda do União no escândalo do Master

Nova proposta de delação de Daniel Vorcaro aponta pagamentos para o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e para membros do PT da Bahia

A nova proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro cita pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT, segundo fontes ligadas à investigações.

Em relação ao PT, a proposta de delação de Vorcaro menciona pagamentos que teriam sido realizados como propina para a operação do programa Credcesta pelo Banco Master no estado da Bahia.

O Credcesta é um cartão de benefício consignado voltado para servidores públicos ativos e aposentados e cujos pagamentos das faturas são descontados diretamente em folha.

O Banco Master passou a operar o Credcesta na Bahia entre os anos 2018 e 2022. Na época, o estado era governado por Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil no terceiro mandato de Lula.

A relação ao PT complica a vida do presidente nas eleições. Uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e a então companheira, Martha Graeff, o golpista disse que encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do governo no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, foi ‘ótimo’. Entre os ministros estava Rui Costa, que era governador da Bahia, no caso citado na nova delação de Vorcaro.

A mensagem está em material obtido pela Polícia Federal (PF) após quebra de sigilo telemático do banqueiro e enviado à CPMI do INSS.

As mensagens são do dia 4 de dezembro de 2024, mesmo dia do encontro fora da agenda oficial com o presidente Lula. O banqueiro afirma que o encontro foi “muito forte” e envolveu também ministros e Gabriel Galípolo, que à época estava indicado para suceder Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central.

Rui Costa já negou publicamente ter relações próximas com Vorcaro. Ele disse que esteve com o banqueiro apenas uma única vez em agenda institucional e defendeu as investigações sobre o Caso Master.

Os repasses milionários a Rueda teriam sido feitos pelo Banco Master por meio do escritório de advocacia ligado ao cacique partidário. Rueda é considerado um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria do Rioprevidência, fundo dos servidores do estado que fez aportes bilionários em papéis e fundos ligados ao Banco Master.

Publicamente, Rueda nega qualquer irregularidade. O cacique diz não ter relação pessoal com Vorcaro, mas admite ter prestado serviços advocatícios para o Banco Master por meio de seu escritório.

A delação de Vorcaro também cita supostos pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

Na nova proposta, o banqueiro aderiu às versões da PF e passou a tratar as benesses pagas por ele a Ciro e a Castro como propina, e não mais apenas como amizade, como sustentava até então.

A nova versão da delação premiada de Vorcaro foi entregue pela defesa na semana passada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR), que agora analisam o material.


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