Ex-presidente do BRB pressionou por compras do Master mesmo após alertas, diz PF

Relatório aponta que Paulo Henrique Costa cobrava rapidez na análise e liquidação de operações, mesmo diante de inconsistências nas carteiras apresentadas pelo Banco golpista

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, pressionou áreas internas do banco para acelerar a análise e a conclusão de operações com o Banco Master, mesmo após receber alertas sobre problemas nas carteiras de crédito apresentadas pela instituição privada.

A informação consta no relatório parcial da investigação da Polícia Federal que apura esquemas relacionados ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB). A PF pediu prorrogação das investigações por mais 60 dias.

As mensagens já analisadas pelos investigadores mostram que Paulo Henrique Costa cobrava rapidez, estabelecia prioridades e indicava quais operações deveriam ser concluídas.

As cobranças por rapidez aconteceram em um período em que integrantes da cúpula do BRB já recebiam informações sobre problemas nas carteiras apresentadas pelo Master.

Paulo Henrique recebeu alertas sobre margens consideradas incompatíveis, índices de inadimplência de 28% e 15% e falhas nas planilhas utilizadas nas operações.

A PF chama atenção para a responsabilidade da Diretoria Colegiada (DICOL) do BRB de barrar negociações com informações incompletas e inconformidade com as normas.

A investigação mostra que 13 das 14 notas executivas — documentos que iniciavam o processo de aquisição — foram aprovadas antes mesmo da conclusão dos pareceres técnicos.

Em dezembro de 2024, após a identificação de irregularidades em uma carteira que ainda estava sob análise, o presidente escreveu que era necessário olhar “esses 71 mm [R$ 71 milhões] rápido”.

Em resposta, o então diretor de Finanças do BRB, Dario Oswaldo Garcia Junior afirmou que iria pressionar a equipe responsável pela análise. “Tô aqui no Robério para apertar.”

“Paulo Henrique definia as operações prioritárias, os respectivos montantes e os prazos de conclusão, além de cobrar pessoalmente sua execução pela Diretoria Financeira do BRB”, diz o relatório.

Em outro diálogo, de 23 de dezembro, Paulo Henrique Costa enumerou cinco operações que pretendia concluir, em movimentações que somavam cerca de R$ 1 bilhão entre compras de carteiras e vendas de créditos inadimplentes.

“Nos organizamos para concluir os seguintes movimentos: 1. Compra de credcesta no limite que temos (R$ 408 mm). 2. Liquidação da venda de NPL pendente de pagamento (R$ 200 mm + atualização). 3.Compra de credcesta no limite adicional (R$ 196 mm). 4. Compra de credcesta (sênior) usando seguro prestamista (R$ 70 mm). 5. Venda de nova tranche de NPL, no valor de R$ 150 mm”, indica o relatório da PF.

Segundo a investigação, o então presidente indicou como prioridade a liquidação, ainda naquele dia, de duas operações de R$ 408 milhões e R$ 200 milhões. Ele também indicou que o ideal seria concluir uma terceira, de R$ 196 milhões.

“O ideal é resolvermos os itens 1 e 2 hoje, e os itens 3, 4 e 5 na quinta.”; “Foco nessas cessões. Vc precisa de alguma ajuda nisso”; “O ideal seria já liquidar os R$ 408 + R$ 196 mm ainda hoje”, disse Paulo Henrique Costa em mensagens.

De acordo com o documento, as operações eram organizadas não apenas para atender às demandas de liquidez do Banco Master, mas com um cronograma de aquisições.

“Assim, sua atuação não pode ser reduzida à supervisão institucional própria do cargo de Presidente. Paulo Henrique exercia comando direto sobre a execução das operações, mobilizava as áreas técnicas para atender aos prazos pretendidos, ajustava o cronograma às necessidades do Banco Master e utilizava os efeitos contábeis das cessões como justificativa para sua continuidade”, destaca o relatório da PF.