Operação investiga fraude de R$ 3 milhões com cartões de cooperativa financeira

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (29), a Operação Nêmesis, para desarticular uma associação criminosa suspeita de fraudar clientes de uma instituição financeira cooperativa. Segundo a investigação, o grupo teria usado dados de cerca de 400 cartões de crédito em transações não autorizadas, causando prejuízo superior a R$ 3 milhões. O nome da cooperativa não foi divulgado pela PCDF.

Mandados e abrangência

A operação cumpre oito mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão em Brasília (DF), Salvador (BA) e Itabuna (BA). A ação mobilizou mais de 60 policiais civis, com apoio operacional do Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC) da Polícia Civil da Bahia.

Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros e o sequestro de veículos dos investigados, até o limite do prejuízo apurado. Também foi ordenada a suspensão das atividades das pessoas jurídicas utilizadas no esquema.

Como funcionava o esquema

De acordo com a PCDF, entre janeiro e julho de 2025, os criminosos realizaram transações eletrônicas não autorizadas com dados de aproximadamente 400 cartões de crédito de clientes da instituição cooperativa.

A investigação aponta que uma então funcionária da cooperativa teria acessado indevidamente o sistema responsável pela geração dos códigos de autenticação das compras. Essas informações teriam sido repassadas a outros integrantes do grupo, responsáveis por executar as fraudes no Distrito Federal e na Bahia.

Destino do dinheiro

Os valores obtidos nas fraudes eram recebidos por estabelecimentos comerciais, distribuídos por meio de contas de passagem e, depois, redistribuídos entre os integrantes da associação criminosa. Parte dos recursos também teria sido convertida em criptoativos para dificultar o rastreamento.

A estrutura indicava uma divisão de tarefas: uma pessoa com acesso interno ao sistema da cooperativa, operadores das transações fraudulentas, receptores dos valores e responsáveis pela ocultação financeira.

Crimes e penas

Os investigados poderão responder por furto mediante fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas máximas previstas para esses crimes podem chegar a 21 anos de reclusão.

As investigações continuam. A PCDF informou que o material apreendido será analisado para identificar outros possíveis envolvidos, mapear o fluxo financeiro e esclarecer a extensão do prejuízo causado aos clientes da cooperativa.

Nome da instituição

Até o fechamento desta reportagem, a PCDF não havia revelado qual é a instituição financeira cooperativa atingida. A corporação apenas confirmou que se trata de uma cooperativa e que os clientes tiveram cartões de crédito utilizados em operações não autorizadas.

A não divulgação do nome é comum no início de operações, sobretudo quando há sigilo processual, risco de exposição indevida de clientes ou necessidade de preservar a investigação. A identificação da cooperativa deve ser confirmada apenas quando constar em documentos oficiais, decisões judiciais ou comunicações da própria instituição.