STF sinaliza que delação de Vorcaro só será aceita com a devolução do dinheiro desviado

Após a apresentação da proposta de delação premiada do golpista do mercado financeiro Daniel Vorcaro, o Supremo Tribunal Federal (STF) sinalizou que a devolução integral do dinheiro desviado por meio de corrupção será condição fundamental para que o acordo de colaboração seja homologado.

A análise da proposta de delação já está sendo feita pela Procuradoria Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal (PF). Caso haja avaliação de que Vorcaro ajudou no avanço das investigações, a homologação será analisada pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça.

A partir de agora, haverá uma negociação da defesa de Vorcaro com a PGR e a PF, para esclarecer eventuais pontos de dúvidas. Mas, tudo estará condicionado ao ressarcimento de valores.

A avaliação no Supremo é que devolução terá que ser feita de imediato. Ainda que parte dos recursos já tenha sido gasta pelo ex-dono do Banco Master, a cobrança acontecerá para o ressarcimento monetário do que estiver em poder de Vorcaro. Mesmo valores que estejam no exterior, terão de ser devolvidos.

O STF sinaliza que não aceitará devolução parcelada, como ocorreu na Operação Lava Jato, em que empresas fizeram acordo de devolução de recursos de forma parcelada em vários anos. A percepção no Supremo é que isso não deu certo.

A defesa de Vorcaro vai ter que apontar onde estão os recursos oriundos dos golpes.

Uma das maiores vítimas do golpista foi o BRB, que já havia solicitado ao STF que o dinheiro que for recuperado dos crimes do Master cubram o rombo financeiro causado à instituição.