Deltan Dallagnol disse nesta quinta-feira (22), no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que foi escalado pela campanha de Flávio Bolsonaro para examinar os documentos de quebra de sigilo autorizados pelo presidente Lula e afirmou que a análise só terá valor se abranger registros desde 2003, e não apenas os últimos oito anos.
A declaração foi feita após a campanha petista protocolar a autorização para abertura dos sigilos.
O que Dallagnol disse
Dallagnol afirmou que seu trabalho será dividido em duas etapas: primeiro, verificar se a documentação entregue por Lula está completa; depois, analisar extratos, relatórios e movimentações financeiras em busca de possíveis indícios de enriquecimento ou ocultação patrimonial envolvendo o presidente, familiares e pessoas próximas.
“Primeiro, se os documentos estão completos”, resumiu o ex-procurador ao explicar a metodologia. Ele disse ainda que pretende examinar informações bancárias e fiscais de Lula, de familiares e de empresas ligadas a eles.
Cobrança por documentos desde 2003
O senador eleito pelo Novo-PR cobrou que a abertura dos sigilos alcance todo o período desde 2003, início do primeiro mandato de Lula, e não se restrinja aos oito anos inicialmente previstos no pedido petista. Segundo ele, esse era o compromisso público assumido por Lula ao aceitar o desafio de Flávio Bolsonaro.
“O compromisso assumido por ele ontem publicamente à imprensa foi de que ele se comprometeu a aceitar o desafio de Flávio Bolsonaro liberando os documentos desde a data de 2003”, declarou Dallagnol.
Acusações e casos citados
Durante a entrevista, Dallagnol retomou acusações ligadas à Operação Lava Jato e disse que pretende revisitar documentos relacionados ao triplex do Guarujá, ao sítio de Atibaia e ao Instituto Lula. Ele também mencionou supostos esquemas envolvendo contratos públicos, fundos de pensão e pagamentos de propina, sem apresentar novas provas.
“Lula é especialista em ocultar patrimônio, e eu sou especialista em encontrar o patrimônio ocultado por Lula”, afirmou o ex-procurador, que acrescentou: “da última vez que eu analisei os sigilos de Lula, Lula foi parar na cadeia”.
As condenações de Lula na Lava Jato, no entanto, foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021, que reconheceu a incompetência da Justiça Federal de Curitiba e, no caso do triplex do Guarujá, a parcialidade do então juiz Sergio Moro.
Gastos públicos e “transparência completa”
Além dos sigilos bancário, fiscal e telefônico, Dallagnol defendeu a divulgação de informações sobre despesas da Presidência, incluindo cartões corporativos, viagens em aeronaves oficiais e visitas da empresária Roberta Luchsinger a órgãos federais e à residência presidencial.
“O Brasil tem direito à transparência completa, não à meia transparência. Lula pretende abrir gavetas vazias e esconder numa caixa-preta aquilo que realmente interessa para o Brasil”, disse.
Papel na campanha de Flávio
A campanha de Flávio Bolsonaro anunciou que escalou Dallagnol para “auditar minuciosamente” a documentação entregue por Lula, incluindo registros apresentados em nome do filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, da primeira-dama Janja e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Na nota, a equipe do candidato do PL disse que o ex-coordenador da Lava Jato analisará “cada extrato e relatório” para “desconstruir a narrativa petista e rastrear as inconsistências”. A campanha não apresentou conclusões sobre o material nem informou prazo para o fim da análise.
Entrega condicionada
A campanha de Flávio chegou ao TSE sem entregar os próprios documentos de sigilo bancário, fiscal e telefônico. A advogada Maria Claudia Buchianeri afirmou que a entrega ocorrerá somente após a conferência da documentação de Lula: “Se eles trouxerem tudo, a gente traz”.
A campanha petista protocolou na manhã desta quinta a resposta formal ao desafio e afirmou aceitar todas as condições impostas por Flávio. O impasse começou no debate da TV Band, no domingo (18), quando Lula propôs que os dois candidatos autorizassem a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos próprios e de familiares.




